Marcondes Gadelha: “Já estou compensado só em ver a transposição chegar”

Há poucos dias, o ex-senador Marcondes Gadelha concedeu uma entrevista ao telejornal Itararé Notícias da TV Itararé, sobre a obra da transposição do Rio São Francisco.

Leia alguns trechos.

“O que foi definitivo foi o estudo e relatório de impacto ambiental contratado pelo Governo FHC junto a um consórcio de duas empresas internacionais (…) Esse estudo mostrou de forma cabal que a transposição não acarretaria nenhum passivo ambiental nem para o Rio nem para a bacia hidrográfica. Isso nos deu uma força muito grande.

“A atitude de (ex-presidente) Itamar Franco, mesmo sendo mineiro e o seu Estado contra a transposição também foi marcante. Ele exigiu que os projetos de engenharia ficassem prontos em sete meses, como também os editais de licitação.

“O Lula deu uma demonstração de vontade politica de realizar (a transposição) ao iniciar a obra.

“Eu já estou compensado só em ver a obra chegar. Foi o sonho da minha vida, uma luta que me absorveu durante 25 anos. É claro que o reconhecimento sempre é muito bom, todo politico acha muito bom ser reconhecido. Mas, pra mim, o fato de ver a obra já é o meu pagamento, já estou feliz demais.

“Na época muita gente me criticava, dizendo que eu estava fazendo uma enganação, que estava buscando resultados eleitorais, sonhando fora do contexto; que a obra era uma coisa inviável e impossível. Eu aguentei essa hostilidade e, pior ainda, a indiferença de muita gente, que simplesmente não dava bolas para o assunto. A gente não conseguia mobilizar (os Estados beneficiários com a obra).

“O outro lado (Bahia, Minas Gerais, Sergipe Alagoas) fazia uma mobilização feroz contra a transposição. E por aqui uma coisa muito morna.

(sobre o valor da água) “Eu tenho absoluta convicção que sim. Não só pelo que estamos passando aqui, mas também pelos exemplos de fora. Quando você vê um estado como São Paulo, que era muito rico de água, entrar numa situação de penúria e de quase desespero pela falta de água… Nós que estamos mais expostos e vulneráveis nessa situação, adquirimos uma consciência muito mais forte (…) Como foi difícil conseguir essas águas para sobreviver. Mas essa consciência deve ser, cada vez mais, estimulada.

“Fico pensando que nesse momento que tem muita gente se arvorando de uma paternidade, porque o sucesso tem muitos pais e o fracasso é órfão. Eu queria saber se essa coisa desse errado, se iria só sobrar pra mim”.

Fonte: paraibaonline

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